30 de agosto de 2011

Hola a Todo El Mundo - Hola a Todo El Mundo (2010)


Fazendo jus ao "todo el mundo" do nome da banda, a espanhola Hola a Todo El Mundo passeia por alguns climas europeus, principalmente. O idioma é o inglês, para universalizar. As melodias têm no passaporte diversos carimbos. No fim, a viagem entre diversas paisagens não cria uma concisão, mas descobre-se uma boa confusão sonora. Agradável e que deixa aberto a possibilidade de um novo passeio.

Tem um pouco de eletrônico, que lembra alguma coisa da Suécia, uns trechos que marcam uma aproximação com a cena inglesa de indie rock e aparece, claro, um clima mais latino, espanhol mesmo. Levadas de folk irlandês também dão um toque mais leve para algumas canções. O acordeão e o violino marcam brincadeiras com o famoso folk do leste europeu e a beleza da música francesa.

Destaco os backing vocals no final de A Movement Between These Two, que tem mais de sete minutos. Amor Fati é a mais bela, num folk que lembra Beirut em alguns momentos. Current Road começa de um jeito, pra cima, e termina calminha. Também muito boa. Os vocais são basicamente masculinos, mas a Hola a Todo El Mundo usa muito bem os backing vocals, principalmente os femininos. Então, canta junto.



19 de maio de 2011

Arrah & The Ferns - All the Bad in One Place (2010)


Arrah & The Ferns - All the Bad in One Place (2010)

Lembro da pequena euforia que senti quando soube, atrasado, é verdade, que o Arrah & The Ferns tinha voltado e tinha lançado um novo disco. Foi proporcionalmente inverso ao sentimento quando, enquanto aguardava esse disco chegar, eles anunciaram o fim, lá em 2009, eu acho. Com as coisas resolvidas, eles voltaram e lançaram o ótimo All the Bad in One Place, no final do ano passado.

E a alegria que senti é porque, apesar de diversos outros bons discos que eu ouvi desde então, me sentia desamparado. Para mim, e isso é extremamente pessoal mesmo, só o Arrah & The Ferns tem a energia que eu preciso para uma situação específica: fazer uma tarefa que não é tão agradável como lavar roupa, arrumar a casa, ficar numa fila longa. As guitarras intercalando riffs pausados com arranjos levemente distorcidos, a voz despretensiosa da Arrah Fisher, a melodia de refrões com frases simples e que servem para diversas situações. Isso me ajuda muito. É como se ao fazer essas tarefas desagradáveis eu dissesse: "Eu vou fazer isso aqui, mas vocês vão ver só!" ou "Olha como eu faço isso aqui e nada me afeta, continuo bem comigo mesmo!".

Há ainda no disco, além dessa capacidade de me dar energia, os momentos belos, as frases de amor que eu guardo no bolso para sussurrar para alguém, o ritmo que eu posso bater com a caneta na mesa do trabalho e os backing vocals que eu posso cantar junto. Tem essas coisas que eu sentia falta e falta é algo como uma vaga, um espaço a ser completado. Estou completo novamente.

Herman Dune - Tell Me Something I Don't Know

Herman Dune - Tell Me Something I Don't Know

Que saudade que eu estava do Herman Dune. Eles lançam disco novo, Strange Moosic, este mês. O álbum tem essa música, Tell Me Something I Don't Know, que, ao que indica, segue o clima do anterior, Next Year In Zion. Clipe lindo, lindo.


Lia Ices - Grown Unknown (2011)

Lia Ices - Grown Unknown (2011)

Eu que sou apaixonado por vozes femininas, estou me deliciando com o novo álbum de Lia Ices, Grown Unknown. Isso porque ela apresenta um pouquinho de várias cantoras que eu gosto, principalmente na linha indiepop e folk.

Por exemplo, Love is Own tem um pop levemente sensual e muito feminino que lembra Feist. Daí o cenário fica mais denso na segunda música, Daphne, com os dedilhados do violão e melodia me fazendo lembrar de Alela Diane. Tem ainda o indiepop mais bobinho que lembra Sally Seltmann e às vezes uma voz mais grave e uma canção mais séria que me leva à sueca Frida Hyvönen.

Mas não aproveite essa definição para acusá-la de apenas sugar essas referências. Não são similaridades próximas de um espelho. Está mais para algo translúcido. A imagem da própria Lia Ices é que aparece atrás desse vidro de influências.

Vale dizer também que, dois anos depois do primeiro disco, ela amadureceu bastante. As referências de outras cantoras que ela já trazia eram mais secas e sem sua marca.

16 de maio de 2011

The Dø - Both Ways Open Jaws (2011)


No início, em melodias mais calmas, a bela voz de Olivia Merilahti se apresenta. Entre o tom neutro e feminino e o sussurro agudo, é o vocal da franco-finlandesa que traz o charme do álbumSlippery Slope, da dupla The Do, que logo escapa da possibilidade de ser chamado de “fofo” ou “bonitinho”. É que depois de uma entrada leve, o álbum mostra outro ponto forte: as melodias recheadas de elementos, sem repetições de fórmulas, que sustentam e fazem Olivia se “esforçar” ainda mais em sua cantoria.

A sequência a partir da terceira faixa, com The Calendar, que começa brincando e vai ganhando seriedade, Smash Them All (Night Visitors) e Gonna Be Sick é quando você pode dizer com certeza: “poxa, que disco bom”. É bom porque repete a fórmula do primeiro álbum, A Mouthful, de 2008, que é a fórmula de ser coeso sem ser chato, de experimentar sem exageros, com peso e suavidade.

Chama a atenção também o cuidado na produção de cada canção. Ao longo de cada música existem pelo menos três ou quatro climas diferentes que vão se misturando com clareza, explorando cada instrumento na medida certa. O piano aparece agudo e divertido ou grave e nebuloso, a percussão traz batidas dançantes ou criam ritmos quase-tribais. A música se transforma ao longo dela mesma, assim como a voz de Olivia, que consegue ser arrastada ou ágil, dependendo da necessidade da canção.

Vale um passeio pelo site da banda, tem os vídeos da produção e uns teasers na época do pré-lançamento. Comentário extra: a Olivia é linda!

15 de maio de 2011

Noah and the Whale - The Last Night On Earth (2011)




Noah and the Whale - The Last Night On Earth (2011)


Alguém por favor poderia fazer o Charlie Fink se apaixonar novamente e depois partir o coração dele? Sério, o Noah and the Whale não funcionou tão bem com seu mentor nesse clima de oba-a-vida-pode-ser-boa-vem-gente.

No novo álbum, Last Night On Earth, o Noah and the Whale mudou a sonoridade pela terceira vez em três discos. Nada contra, é um avanço que preserva a base melódica da banda e poderia ter dado certo assim como deu de Peaceful, The World Lays Me Down (Charlie apaixonado) para First Days of Spring (Charlie de coração partido). Mas não.

O que é o refrão de Life Is Life, num otimismo que enjoa? E na sequência vem Tonight`s the Kind of Night “onde tudo pode mudar”. É isso, Charlie? Pois preferia que não tivesse mudado e você estivesse com o coração partido pela Laura Marling ainda. Nada contra você.

O disco é bom em aspectos “técnicos”, digamos assim. As melodias são criativas, apesar de mais pop do que nos discos anteriores. O vocal de Charlie está bem explorado, tem umas brincadeiras com climas dançantes e o disco é na maior parte do tempo divertido e bonito. Mas não é bom porque parece raso. Charlie já foi melhor letrista e as canções, na primeira audição, costumavam conquistar.

Eu acho o Noah and the Whale uma das bandas com o maior potencial criativo ultimamente, e justamente por isso julguei colocando os critérios lá no alto. Mas não acertaram tanto em Last Night On Earth. O disco tem seus momentos iluminados. Como por exemplo em L.I.F.E.G.O.E.S.O.N. com ótimo refrão e a bela Wild Thing, justamente os dois primeiros singles do disco.