O sempre simpático aos ouvidos Bonnie 'Prince' Billy em uma pegada mais country.
1 de setembro de 2011
Russian Red - Fuerteventura (2011)
Parece que cada vez mais é preciso ser totalmente a favor ou contra alguma coisa. Por isso, ficar em cima do muro é praticamente ser radical. Na música, em especial no cenário alternativo, é perigoso ficar em cima do muro. O risco de produzir algo sem graça é grande. Menos no caso de Lourdes Hernández, a moça à frente do Russian Red, projeto espanhol radicalmente (e maravilhosamente) na média, no meio termo.
Em seu segundo disco, Fuerteventura, a voz de Lourdes é feminina sem enjoar, tem artifícios variados mas não vai longe, tem o tanto de técnica e sentimento necessário. A melodia folk, com o clima de leveza ensolarada próprio da cultura latina, tem um raio de alcance que não faz perder uma lógica sonora. A letra é simples e simplesmente criativa. Nada falta e nada sobra. Não há risco e nem cálculo demais.
É assim, na média de todos os elementos que compõe Fuerteventura, na dificuldade de manter esse equilíbrio constante que consiste a beleza do disco. Deixe no volume médio, quando não estiver nem alegre nem triste, quem sabe no meio da tarde, no meio da semana...
31 de agosto de 2011
30 de agosto de 2011
Hola a Todo El Mundo - Hola a Todo El Mundo (2010)

Fazendo jus ao "todo el mundo" do nome da banda, a espanhola Hola a Todo El Mundo passeia por alguns climas europeus, principalmente. O idioma é o inglês, para universalizar. As melodias têm no passaporte diversos carimbos. No fim, a viagem entre diversas paisagens não cria uma concisão, mas descobre-se uma boa confusão sonora. Agradável e que deixa aberto a possibilidade de um novo passeio.
Tem um pouco de eletrônico, que lembra alguma coisa da Suécia, uns trechos que marcam uma aproximação com a cena inglesa de indie rock e aparece, claro, um clima mais latino, espanhol mesmo. Levadas de folk irlandês também dão um toque mais leve para algumas canções. O acordeão e o violino marcam brincadeiras com o famoso folk do leste europeu e a beleza da música francesa.
Destaco os backing vocals no final de A Movement Between These Two, que tem mais de sete minutos. Amor Fati é a mais bela, num folk que lembra Beirut em alguns momentos. Current Road começa de um jeito, pra cima, e termina calminha. Também muito boa. Os vocais são basicamente masculinos, mas a Hola a Todo El Mundo usa muito bem os backing vocals, principalmente os femininos. Então, canta junto.
19 de maio de 2011
Arrah & The Ferns - All the Bad in One Place (2010)
Arrah & The Ferns - All the Bad in One Place (2010)
Lembro da pequena euforia que senti quando soube, atrasado, é verdade, que o Arrah & The Ferns tinha voltado e tinha lançado um novo disco. Foi proporcionalmente inverso ao sentimento quando, enquanto aguardava esse disco chegar, eles anunciaram o fim, lá em 2009, eu acho. Com as coisas resolvidas, eles voltaram e lançaram o ótimo All the Bad in One Place, no final do ano passado.
E a alegria que senti é porque, apesar de diversos outros bons discos que eu ouvi desde então, me sentia desamparado. Para mim, e isso é extremamente pessoal mesmo, só o Arrah & The Ferns tem a energia que eu preciso para uma situação específica: fazer uma tarefa que não é tão agradável como lavar roupa, arrumar a casa, ficar numa fila longa. As guitarras intercalando riffs pausados com arranjos levemente distorcidos, a voz despretensiosa da Arrah Fisher, a melodia de refrões com frases simples e que servem para diversas situações. Isso me ajuda muito. É como se ao fazer essas tarefas desagradáveis eu dissesse: "Eu vou fazer isso aqui, mas vocês vão ver só!" ou "Olha como eu faço isso aqui e nada me afeta, continuo bem comigo mesmo!".
Há ainda no disco, além dessa capacidade de me dar energia, os momentos belos, as frases de amor que eu guardo no bolso para sussurrar para alguém, o ritmo que eu posso bater com a caneta na mesa do trabalho e os backing vocals que eu posso cantar junto. Tem essas coisas que eu sentia falta e falta é algo como uma vaga, um espaço a ser completado. Estou completo novamente.
Herman Dune - Tell Me Something I Don't Know
Herman Dune - Tell Me Something I Don't Know
Que saudade que eu estava do Herman Dune. Eles lançam disco novo, Strange Moosic, este mês. O álbum tem essa música, Tell Me Something I Don't Know, que, ao que indica, segue o clima do anterior, Next Year In Zion. Clipe lindo, lindo.
Lia Ices - Grown Unknown (2011)

Lia Ices - Grown Unknown (2011)
Eu que sou apaixonado por vozes femininas, estou me deliciando com o novo álbum de Lia Ices, Grown Unknown. Isso porque ela apresenta um pouquinho de várias cantoras que eu gosto, principalmente na linha indiepop e folk.
Por exemplo, Love is Own tem um pop levemente sensual e muito feminino que lembra Feist. Daí o cenário fica mais denso na segunda música, Daphne, com os dedilhados do violão e melodia me fazendo lembrar de Alela Diane. Tem ainda o indiepop mais bobinho que lembra Sally Seltmann e às vezes uma voz mais grave e uma canção mais séria que me leva à sueca Frida Hyvönen.
Mas não aproveite essa definição para acusá-la de apenas sugar essas referências. Não são similaridades próximas de um espelho. Está mais para algo translúcido. A imagem da própria Lia Ices é que aparece atrás desse vidro de influências.
Vale dizer também que, dois anos depois do primeiro disco, ela amadureceu bastante. As referências de outras cantoras que ela já trazia eram mais secas e sem sua marca.
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